28 fevereiro, 2009

Nice to meet you, honey

Os meus sábados são sempre iguais: acordar cedo, meter-me numa sala durante três horas a falar inglês e a ver sempre as mesmas pessoas. Mas às vezes a rotina foge à regra, e hoje já valeu ter acordado cedo. A Ellen, minha teacher, adoeceu e o Andrew (um dos directores do Cambridge S.) foi substitui-la. Acho que me fez ganhar o dia! Entrei na sala e pensei que me tinha enganado, porque dei logo de caras com ele e estranhei-o. De repente, ouvi as minhas colegas a rirem-se de mim e percebi que era a mesma sala de sempre. Daí em diante todos nos íamos rindo da cara que cada um fazia quando entrava na sala. Sei que durante três horas, ri como já não ria há muito tempo (quase chorei de riso) e troquei experiências incríveis. A cada minuto que passava, sentia que o conhecia há anos. Fumámos juntos e passei a saber toda a vida daquele young man (36 y.), desde o ter vivido em 9 países diferentes a ter almoçado com o Beckham ou ter bebido uma cerveja com o Saramago. Ousou trocar beijos com algumas de nós, sem meias-medidas pôs até as mãos sobre os meus joelhos para me corrigir um exercício, e aquele honey ainda ecoa no ouvido. “Byyee, nice to meet you”, quando vim embora, não me soou a um “adeus, até sempre” mas sim a um “até já”, pois aquele olhar predisse-me que, por certo, nos havemos de encontrar uma noite destas pelo Bairro…

A esta hora devem estar a pensar que me ‘apaixonei’ pelo Sr. Director, mas não. Simplesmente há pessoas que marcam a nossa mentalidade e maneira de ser. Tenho conhecido muitas, e o Andrew foi apenas mais uma dessas (em apenas 3 horas…)!

27 fevereiro, 2009

Irmandade do Anel


Sei cada vez mais a falta que me fazem e que vos faço.

Sei cada vez mais os meus e os vossos erros, as minhas e as vossas virtudes.

E sei cada vez mais que as amizades podem mesmo durar uma vida!

Será este sorriso por que procuras?
Será ele que te esconde os desenganos?
Será nele que encontras refúgio
E te perdes segundos sem fim?
Será este com que sonhas?
E sonhar talvez que esta boca seja tua?
Ser-te-á porto de confiança
E noites de insónias?
Tu que traças com os dedos todas as suas linhas
E que acabas por te perder num beijo?
Tentarei eu que esta boca seja um dia só tua
Tentarás tu que o seja
Derrubando as barreiras entre os dois?
Quererás tu que ela seja tua?
Será ela fonte de pecado com que pecaste tantas vezes
Destruidora do destino, maior que o teu querer?
Será ela culpada das mentiras com que te desculpas
Para não teres que enfrentar o que a vida te prometeu?
É ela culpada ou vítima dos teus luxuriosos desejos
Aos quais não resistes?
Desejo de me ter, de me querer entregue a ti…


Beija a minha boca
Ela sabe a mel da vida.

26 fevereiro, 2009

«Pára de chorar, carrega no baton, abusa do verniz, põe os pontos nos i's, nem Deus tem o dom de escolher quem vai ser feliz»

Rui Veloso e Nancy - Canção de Alterne

Posso partilhar?

A Ana é surda. Não nasceu assim, mas pequenas acções nossas podem condicionar a vida de outra pessoa para sempre. E foi isso que aconteceu com ela, por negligência médica não tem o dom de ouvir, de saber ouvir, de ouvir como nós. Mas a Ana é dona duma inteligência inexplicável. Ela sabe ler nos olhos e no sorriso, ler nos lábios e nas palavras, e sabe sempre quando estamos a falar dela, expressando aquele sorriso malandro de menina. Sabe tudo o que acontece à sua volta, devora telenovelas e filmes, e sabe toda a vida do que acontece na televisão. Anda numa escola especial, fala por língua gestual, mas não domina todo esse vocabulário. Ainda assim, impressiona porque faz os gestos a uma velocidade estonteante. Balbucia algumas palavras (e eu percebo tudo). Tem 14 anos, eu vi-a nascer, e o meu nome foi das primeiras coisas que aprendeu a dizer. É morena, gira, um cabelo de invejar e super vaidosa. Na escola, é a melhor em tudo, principalmente em Educação Física. Vangloria-se quando ganha as medalhas das corridas. Tem um irmão gémeo, é bonito de se ver a telepatia dos dois. Ele não deixa que nada de mal lhe aconteça, ainda que por vezes perca a paciência com ela. Em criança, a Ana pagava sempre as favas, aproveitavam-se por ela não se poder defender verbalmente. Hoje, é ela que finta tudo e todos e dá a volta a qualquer questão. É benfiquista serrenha e não perde oportunidade de chatear a cabeça a todos os sportinguistas lá de casa. A Ana passa o tempo a rir, de tudo e de todos. E é, sem dúvida, um pouco do exemplo a seguir. Mostra-nos que não é preciso ter tudo na vida para a vivermos da melhor maneira. Mas claro que a Ana tem o sonho de um dia ouvir totalmente, de não ter que por a música aos altos berros para conseguir ouvir alguma coisa, e de não precisar de usar as mãos para falar...

A Ana é minha prima. E eu daria a vida por esta princesa.

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25 fevereiro, 2009

«- Como está Senhora Doutora?
- Estou bem, obrigada! (pip)
- Mas então...a trabalhar aqui na Caixa do Mini Preço?!
- (pip) Oh, tem que se fazer pela vida, n'é verdade...?! (pip)»

Esta talvez serei eu a falar com uma qualquer cliente daqui a uns aninhos... Acho que a licenciatura, o mestrado, o doutoramento, etc., não me vão dar grande estatuto...a não ser na caixa do super-mercado, ou a opção mais certa: o desemprego. Mas o Zezinho continua a insistir que os números são bastante animadores. Vá-se lá saber a que números se refere afinal o nosso Primeiro-ministro...

De qualquer forma, é sempre um orgulho vestir o traje e bom também saber que já falta pouco para ter o canudo na mão (ainda que depois não me venha a valer de nada!)...

De volta à rotina...

Parece que é hoje que recomeça a rotina: a faculdade está de volta e traz consigo os stresses, os trabalhos, as directas, os quilos de chocolate, café e tabaco para esconder os nervos...e traz ainda as borgas!!!

Espero que este semestre os profs não me lixem tanto nas notas como fizeram no primeiro, injustamente diga-se. E espero também que os meus queridos do 3ºano aproveitem ao máximo este seu último semestre de sempre. Vao deixar saudades...

Ah, e já agora...eu só ponho os pés na faculdade na próxima semana! (Ainda não me sinto psicologicamente preparada para voltar a dar de caras com os professores ;) )

listen...

De vez em quando, vou deixando por aqui umas preciosidades...

Sonic Youth - The Diamond Sea

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24 fevereiro, 2009

assunto del giorno

Haverá assunto mais actual do que a homossexualidade? Pois bem, acho mesmo que não. E para começar este blogue da melhor forma, então que se comece com um assunto actual, ousado e tumultuoso. E já que se tem falado tanto em democracia e direitos iguais relativamente a este assunto, então aqui fica uma reflexão pessoal, com a esperança de que respeitem, meus queridos leitores…

Este blogue é meu e faço dele o que bem entender, certo? Então se os que apelam a esse ‘grito’ têm todo o direito de se manifestar, porque é que não nos fazemos todos ouvir por aquilo em que acreditamos?

Ligo a televisão e vejo gays por todo o lado a assumirem-se e a gritarem pelo direito ao casamento homossexual. Fique desde já bem claro que não sou contra os gays, não comecem já com as pedras. Eu respeito, juro que sim, que cada um tenha os seus gostos e vontades próprias, tal como eu tenho as minhas. Mas estou um bocadinho farta de cada vez que ligo a televisão ter um homossexual a tentar impingir-me a ser a favor do casamento gay e da adopção por homossexuais. Sim, somos todos pessoas mas parem lá com essa coisa da igualdade de direitos. Não há igualdade de direitos coisa nenhuma, porque senão todos ganhávamos os mesmos ordenados, frequentávamos os mesmos hotéis, comíamos do mesmo caviar e íamos de iate para o emprego…mas não somos. Contentemo-nos em ser Zé Povinho (enquanto outros são Zézinhos!). Bem, mas como eu dizia, estou um bocado farta realmente deste surto de gritos gays.

Ligo a televisão de manhã e tenho um jovem que se assume homossexual a falar da sua experiência própria e de tudo o que passou durante a adolescência, num programa matinal; mudo de canal para não ter que levar com as cenas pacóvias do apresentador que também é gay, então paro num qualquer programa americano e eis que vejo um actor, modelo, e ex-militar da Força Aérea (aqueles músculos e aquele sorriso…) crivado à frente dos meus olhos e penso “Que Deus!”…até que me apercebo da conversa, e ele está precisamente a confessar que é gay, e eu desmaio depois de pensar “Que desperdício!”; saio do quarto, vou à sala ter com a mãe e pergunto-lhe o que ela está a ver, «Oprah, filha», e eu olho para a televisão e tenho um príncipe indiano que é tema actual no mundo e acabou de chocar todo o Ocidente ao assumir-se gay; volto para o quarto, continuo a minha jornada de zapping e quando dou por mim está na hora do Prós-e-Contras, tema: ‘casamento homossexual do ponto de vista jurídico’, e tenho uma jornalista (que como quem não quer a coisa, é namorada de José Sócrates) na ala pro-homossexual e um padre na ala contra-homossexual; a jornada continua e tenho uma linda noite de Óscares pela frente em que, claro, um jovem guionista do filme Milk, que é também ele gay, diz que sonha um dia casar e ter filhos, e quando eu penso que não podia ouvir mais falar em assuntos gays, levo com o Sean Penn (que eu adoro!) a destroçar-me os ouvidos (e o coração) a dizer que devemos ter vergonha por não sermos a favor do casamento gay.

Poderia continuar a dar mais exemplos, mas se abrirem os olhos vêem bem que este é mesmo o tema del giorno. Volto a dizer que respeito profundamente quem se assume gay, pois é claro que temos todos direito a ser felizes e livres de sentirmos todas as emoções e sentimentos de que o ser humano foi dotado. Só não precisam de me bombardear, através da comunicação social, de todos os anseios por que tentam a todo o custo atingir. O casamento é uma instituição secular e nunca foi questionado: homem com mulher e mulher com homem, só. Se os homossexuais têm coragem para se assumir, se se gostam como casal, não queiram mudar esta instituição, quer queiram quer não, deste Portugal para sempre conservador q.b. E quanto à adopção, se, como referiu a namorada do Sr. Primeiro-ministro, já há gays que adoptam crianças, por nome individual, então continuem a fazê-lo dessa maneira. Não há confusões, não há guerras, não há choques de mentalidades, nem confrontos mais amargos de palavras. Eu não olho de lado para um gay por ele ser gay, tal como não olho de lado para um 'hetero' nem para um 'bi'. Por isso parem de dizer que são marginalizados e etc. etc., pois, apesar de conservador, este povo ainda tem muita compaixão pelos seus e ninguém vos cospe na cara por serem ‘diferentes’… Uns são mal tratados por uma coisa, outros por outra...e no fundo todos nos magoamos e amamos uns aos outros! (soou lamechas…but it’s true!)

Ah, e já agora, parem de dizer «Marta, um dia vais ter filhos e netos…» ou «Não sabes o teu dia de amanhã…». Não costumo cuspir para o ar nem atirar pedras a telhados de vidro, e sei perfeitamente que o pecado mora ao lado, e caso algum filho ou neto meu se assuma gay, respeitá-lo e amá-lo-ei da mesma maneira, só não concordarei que caia no absurdo de querer mudar instituições seculares e tradicionais, pois há-de ser forte o suficiente para conseguir viver consoante determinados valores e contra quaisquer objecções de terceiros, respeitando e sendo respeitado. Agradecida!

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;)

24 de Fevereiro, o relógio marca 00h57. Não sei se a hora é a mais apropriada, mas hoje apeteceu-me ser igual às outras pessoas (pelo menos hoje) e criei um blog...! Quando, como, onde, o que quiser e sobre o que quiser, vou escrever aqui algumas coisinhas.

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