24 fevereiro, 2009

assunto del giorno

Haverá assunto mais actual do que a homossexualidade? Pois bem, acho mesmo que não. E para começar este blogue da melhor forma, então que se comece com um assunto actual, ousado e tumultuoso. E já que se tem falado tanto em democracia e direitos iguais relativamente a este assunto, então aqui fica uma reflexão pessoal, com a esperança de que respeitem, meus queridos leitores…

Este blogue é meu e faço dele o que bem entender, certo? Então se os que apelam a esse ‘grito’ têm todo o direito de se manifestar, porque é que não nos fazemos todos ouvir por aquilo em que acreditamos?

Ligo a televisão e vejo gays por todo o lado a assumirem-se e a gritarem pelo direito ao casamento homossexual. Fique desde já bem claro que não sou contra os gays, não comecem já com as pedras. Eu respeito, juro que sim, que cada um tenha os seus gostos e vontades próprias, tal como eu tenho as minhas. Mas estou um bocadinho farta de cada vez que ligo a televisão ter um homossexual a tentar impingir-me a ser a favor do casamento gay e da adopção por homossexuais. Sim, somos todos pessoas mas parem lá com essa coisa da igualdade de direitos. Não há igualdade de direitos coisa nenhuma, porque senão todos ganhávamos os mesmos ordenados, frequentávamos os mesmos hotéis, comíamos do mesmo caviar e íamos de iate para o emprego…mas não somos. Contentemo-nos em ser Zé Povinho (enquanto outros são Zézinhos!). Bem, mas como eu dizia, estou um bocado farta realmente deste surto de gritos gays.

Ligo a televisão de manhã e tenho um jovem que se assume homossexual a falar da sua experiência própria e de tudo o que passou durante a adolescência, num programa matinal; mudo de canal para não ter que levar com as cenas pacóvias do apresentador que também é gay, então paro num qualquer programa americano e eis que vejo um actor, modelo, e ex-militar da Força Aérea (aqueles músculos e aquele sorriso…) crivado à frente dos meus olhos e penso “Que Deus!”…até que me apercebo da conversa, e ele está precisamente a confessar que é gay, e eu desmaio depois de pensar “Que desperdício!”; saio do quarto, vou à sala ter com a mãe e pergunto-lhe o que ela está a ver, «Oprah, filha», e eu olho para a televisão e tenho um príncipe indiano que é tema actual no mundo e acabou de chocar todo o Ocidente ao assumir-se gay; volto para o quarto, continuo a minha jornada de zapping e quando dou por mim está na hora do Prós-e-Contras, tema: ‘casamento homossexual do ponto de vista jurídico’, e tenho uma jornalista (que como quem não quer a coisa, é namorada de José Sócrates) na ala pro-homossexual e um padre na ala contra-homossexual; a jornada continua e tenho uma linda noite de Óscares pela frente em que, claro, um jovem guionista do filme Milk, que é também ele gay, diz que sonha um dia casar e ter filhos, e quando eu penso que não podia ouvir mais falar em assuntos gays, levo com o Sean Penn (que eu adoro!) a destroçar-me os ouvidos (e o coração) a dizer que devemos ter vergonha por não sermos a favor do casamento gay.

Poderia continuar a dar mais exemplos, mas se abrirem os olhos vêem bem que este é mesmo o tema del giorno. Volto a dizer que respeito profundamente quem se assume gay, pois é claro que temos todos direito a ser felizes e livres de sentirmos todas as emoções e sentimentos de que o ser humano foi dotado. Só não precisam de me bombardear, através da comunicação social, de todos os anseios por que tentam a todo o custo atingir. O casamento é uma instituição secular e nunca foi questionado: homem com mulher e mulher com homem, só. Se os homossexuais têm coragem para se assumir, se se gostam como casal, não queiram mudar esta instituição, quer queiram quer não, deste Portugal para sempre conservador q.b. E quanto à adopção, se, como referiu a namorada do Sr. Primeiro-ministro, já há gays que adoptam crianças, por nome individual, então continuem a fazê-lo dessa maneira. Não há confusões, não há guerras, não há choques de mentalidades, nem confrontos mais amargos de palavras. Eu não olho de lado para um gay por ele ser gay, tal como não olho de lado para um 'hetero' nem para um 'bi'. Por isso parem de dizer que são marginalizados e etc. etc., pois, apesar de conservador, este povo ainda tem muita compaixão pelos seus e ninguém vos cospe na cara por serem ‘diferentes’… Uns são mal tratados por uma coisa, outros por outra...e no fundo todos nos magoamos e amamos uns aos outros! (soou lamechas…but it’s true!)

Ah, e já agora, parem de dizer «Marta, um dia vais ter filhos e netos…» ou «Não sabes o teu dia de amanhã…». Não costumo cuspir para o ar nem atirar pedras a telhados de vidro, e sei perfeitamente que o pecado mora ao lado, e caso algum filho ou neto meu se assuma gay, respeitá-lo e amá-lo-ei da mesma maneira, só não concordarei que caia no absurdo de querer mudar instituições seculares e tradicionais, pois há-de ser forte o suficiente para conseguir viver consoante determinados valores e contra quaisquer objecções de terceiros, respeitando e sendo respeitado. Agradecida!

*

4 comentários:

  1. Com muita diplomacia, bem mais do que aquela que eu utilizaria, tocaste num assunto que muita controvérsia tem gerado. Eu posiciono-me na fracção contra o casamento e adopção, e sim, não acho a homossexualidade uma coisa normal como muitas pessoas acham. Dentro dos meus valores e ideologias, continuam a ser uma minoria que se quer impor à maioria hetero. Pois bem, dois homens não têm filhos, e duas mulheres também não. E considero que no caso de uma criança, criada e educada por um casal homossexual, não lhe são transmitidos os valores de um casal constituído por um homem e uma mulher, perdoem-me a franqueza.
    No entanto, e contrariamente ao que muita gente pensa, eu respeito e não maltrato ninguém, alias, devemos cruzar-nos com imensos por aí que nem percebemos qual a sua orientação sexual, falo sim, e muito contra, a sua exposição e despudor.

    Começaste o blog em grande, é só o que te digo.

    Beijinhoo

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  2. Ora bem, SR ANÓNIMO, obrigada pela sua opiniao. Eu poderia te-la deixado aqui, caso nao tivesse sido tao..."ignorante", mas visto que o blog é meu, nao admito que venha aqui chamar-me o q quer q seja. Ainda mais dessa forma..."ignorante", ao não dizer quem é. Críticas sao sempre bem-vindas, mas gostava q da proxima se "assumisse" ;) Obrigada.

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  3. Bem... eu disse não comentar este texto porque, tirando o facto de estar muito bem escrito, de teres argumentos aceitáveis e convicçoes, discordo desta tua ideia e de caires no erro de assumir que "nao sao marginalizados"! Acredita que são. Relativamente a adoção e casamento católico, porque não? *-) Por serem do mesmo sexo não vão dar o mesmo amor? Por serem do mesmo sexo não vão passar os mesmos valores? Não vejo em que medida mas...

    Esquecendo o confronto de ideias inuteis porque pessoas como tu vão pensar assim para o resto da vida e nisso não vão evoluir... concordo com o facto de não haver igualdade de direitos,ora nisso tiveste bem ; )

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  4. Gosto de olhar para este assunto como se de um 'jogo' se tratasse... Quem não aceita as regras que caia fora!
    Se eu eu estiver apaixonado por duas ou mais mulheres e elas por mim e entre elas, podemos casar? NÃO!
    O Casamento é uma instituição anterior ao Estado, foi criado segundo alguns conceitos. Quem não os quiser aceitar que viva segundo as suas regras, nos seus espaços.
    Se querem respeito pelas suas opiniões, comecem por respeitar as dos outros.

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