09 abril, 2009

Viagem

A manhã nasce por entre os primeiros raios de sol. O murmúrio matinal, a bica e o laminar rápido no jornal para dar conta das últimas de aqui e de acolá, pouco mais que um semicerrado bom dia e toda esta gente a mentalizar-se que o ofício só acaba quando o sol se for.
Acordar cedo e sentir este cheiro da manhã na capital é coisa para me deixar bem-disposta o resto do dia, para me sentir uma sortuda por viver aqui. Mas deixo Lisboa por umas horas. Rumo à margem sul do rio. Passo a Vasco da Gama, deixo para trás a edificação alfacinha e…outro mundo! Aqui, depois da ponte, tudo é verde e castanho. Lezírias, cavalos, gado, velhos na apanha do mexilhão, uns prédios que se fazem contrastar com tudo isso só para não dizer que aqui tudo soa somente a campo, e eis-me aqui sentada, numa viagem de autocarro que me apraz até, e nunca soube bem porquê.
Faculdade vazia (não estivéssemos nós de férias), um trabalho entregue, outro quase feito, e “toca a bazar daqui!”. Passeio com as amigas e os amigos e as gentes conhecidas que já me vão cansando a vista do mesmo, das mesmas caras. Corrida para não perder o autocarro de volta, e já lá dentro penso que finalmente já falta pouco para bazar mesmo dali.
Lisboa à vista depois de umas horas. O trânsito mais caótico do mundo, o stress que não havia de manhã, as filas intermináveis do desejado regresso a casa e a mim já só me faltam uns poucos minutos para estar deitada na cama a escrever esta porcaria.
Mais tarde ou mais cedo, esta tal viagem acabará. E por mais que eu não goste da cidade do lado de lá onde passo todas as minhas 'santas' semanas, a verdade é que talvez até vá deixar saudades. Quem sabe... Bom mesmo é saber que pelo menos o acordar em Lisboa é garantido, e saberá sempre tão bem quanto hoje.

3 comentários:

  1. Acredito. A tua cidade é a tua cidade, e na opinião de quem é do lado da margem sul, eu, sim és uma sortuda. Dentro do nosso pequeno grande país, Lisboa é cidade na sua verdadeira concepção. É movimento, é agitação, é transito, é tudo. Quis alguma coisa que aqui viesses parar e pronto, lá estás tu de malas e bagagens de um lado para o outro, numa rotina meio chata. Mesmo sabendo que nao é teu, espero que, pelo menos, em alguns dias que aqui passas, te sintas um pouco em casa =)

    ps: Tas cansada de nós? =( snif

    Raquel*

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  2. Gostei... E gosto de fazer a viagem "ao contrário"... Quando passo esta ponte fico outro, especialmente porque não estou exposto à codrelhice, que é aquilo que menos gosto nestes lados. Um dia pego na troxa e vou p aí!

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  3. Frenético! Na verdade tudo deixa saudade. Ora se estás de um lado da ponte ou do outro ;)

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