A noite e o silêncio do quarto trazem-nos sempre mais memórias e mais alguma dose de nostalgia. Não gosto disso. Não gosto de ter que pensar nas coisas, na maneira como elas deixam saudade e como me deixam nostálgica. Porque a saudade é uma coisa estúpida e eu preferia que ela não tivesse razão de existir. Mas existe. Existe em cada pessoa, em cada momento e em cada coisa que deixamos para trás. Em cada pessoa que nos deixa para trás. E com elas (as pessoas) se vão os momentos e as coisas partilhadas. Vezes em que chega a saudade a marcar o início do fim de algo. Ontem aconteceu, hoje deixou de acontecer e amanhã já só resta mesmo a estúpida da saudade. Somos como que obrigados a ficar sem a pessoa em detrimento dela. A vida encarrega-se disso, mas as pessoas também fazem questão de a ajudar. Ao esquecer as outras e fingirem que o passado não faz já parte de si. Quando o amanhã vem, percebemos que o pleonasmo do tentar pensar que o Até Nunca é um Até Já, é ridículo. Mais ridículo até que a saudade. Foi embora, não volta, e continuamos nós a achar que a esperança ainda vive, só para não termos que aceitar que a saudade até custa. Podemos não pensar que os momentos aconteceram com aquelas pessoas, e assim provavelmente não teremos saudade (como provavelmente elas não terão)?! Coisas que morreram. Ou momentos que não aconteceram. Ou pessoas que não existiram. Assim a saudade deixa de ser saudade, passa a ser ignorância ou loucura. Mas pelo menos não dói.
"There's no end"?!